ASAS

ASAS

Quando te vejo assim, mistura de imagem e vertigem...
Tez enevoada, plumas perfeitas, cabelo ao vento
Me vejo como sou.
Igual a você, um ser alado.
Me mantenho calado enquanto você voa ...
Quero voar com você, mas minhas asas estão presas...
E não consigo me libertar.
Quero te seguir nesta viagem.
Ver tudo de forma abstrata
Como se as imagens estivessem fora de sintonia
Ver como um borrão, os erros da minha vida.
Quero voar com você, mas minhas asas estão presas.
Me leva com você.
Me liberta.
Me ativa.
Me cativa...
Quero voar com você...
mas minhas asas estão presas.


--------------------------------------

FUGA
Em um momento
Um impulso desesperado movido pelo desejo
Me vejo veleiro adentrando o mar
Sem bússola, guiado pelas estrelas que não sei ler
Deixo-me levar
Nas redes, nas cordas, na cabeça ainda tantos nós
Me sinto disperso, diferente da batida das asas do albatróz
Sincronia perfeita
Então somos dois, o mar sempre belo e eu, sempre triste
No peito essa saudade da qual fujo ainda insiste
Minha proa adunca, envelhecida, ao tempo resiste
Mas fujo
Deixo-me navegar neste mar de ilusão
Mar que eu mesmo criei para distrair minha solidão
É que sonho muito
Vejo caravelas, velas paralelas me levando para longe
Imagens vindas, viagens findas
Sou um veleiro triste, sem cores, desbotado
Vazio de vida, cheio de história
Esquecido, abandonado, ancorado em um porto qualquer.


Guthrie











Não deixe de me escrever


Até agora
pessoas visitaram este site.